Hoje eu sei mais do que ninguém o que sentar e esperar
Esperar por aquela lagrima que não cai
Pelo tempo que não chega
Pelo amargo que não desaparece
Pela vida que nunca vem apenas vai
E a gente como espectador sentado num banco a beira estrada
Comendo partículas e partículas de pó humano
Sonhos são muito mais que pesadelos terríveis
Viver já e o suficiente para estar aterrorizado
Amedrontado
Encurralado
São dessas coisas que fico a pensar parado
Andando por entre a multidão
Ou na rua deserta de qualquer cidade que devaneie meus pensamentos
Estou à procura de qualquer coisa maior do que toda essa espera
Maior do que toda essa dor
Maior do que essa lagrima que insiste em não cair
Pois o que tenho para chorar
O mundo já não chorou todas?
As crianças mudas de Hiroshima já não regaram aquelas terras?
Essa espera é como a fome de um leão
Devora tudo o que for sem mastigar
E fico a pensar se já não engoli inteiro certas alegrias?
Oportunidades, chances de viver.
O tempo é algo voraz e silencioso na sua estratégia boba
De manipular os pobres mortais
Largados a deriva neste imenso mar
De tempo entrecortados de ilusões...
Luciano Oliveira
11/04/06

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