quarta-feira, 6 de abril de 2011

In Memoriam Dona Marli... Um Anjo do Céu

Hoje é uma noite como tantas outras escuras e repletas de pontos luminosos na sua escuridão, exceto pelo fato de que nesta noite eu resolvi falar de saudade...

Sabe daquela saudade que lhe aperta tanto no peito que você tem a sensação que irá sufocar-te. Daquele sentimento preso em algum determinado tempo ou lugar que você não sabe como descrever de onde lembra, mas que apenas vem a sua memória e vem aos poucos como uma topada no dedão que vem doendo lentamente e vai subindo pelo corpo todo e você tem vontade de gritar!

Como quero gritar agora! Gritar toda a saudade embutida nas lembranças que me torturam, me desesperam, quero gritar até ficar sem ar, perder o pulso, os sentidos, fazer expurgar todo esse sentimento que eu não controlo, que apenas devora minha pouca sanidade e paz.

Eu não entendo porque dói tanto, porque em mim a saudade não é um conforto, é um pesadelo de longas horas que me consome em muitas lágrimas e pensamentos tristes.

Eu sinto saudade, eu quase me deixo levar por esse sentimento e queria que de fato me levasse, não consigo administrar à perda, a ausência, a falta de alguém em minha vida!

Eu os quero por perto, aqui comigo, como se vocês todos fossem meus e de mais ninguém, queria poder comprá-los da morte e deixar que nunca morressem e comigo ficasse para sempre, para todos os dias rir e chorarmos das coisas que nos acontecem e do que não acontece.

Eu perdi muito na vida, eu perdi tanto que é inevitável não pensar na saudade, ela faz parte de mim, como assim faz parte minha pele para cobrir minhas veias, meus órgãos, meu coração que tanto pulsa e não bomba pra fora a saudade.

Tenho saudade dos amigos da infância, dos meus brinquedos, da casa da minha avó, de brincar de massinha de modelar, dos desenhos infantis e de andar de bicicleta no domingo à tarde.

Tenho saudade do meu avô, saudade do cheiro da escola, de material novo.

Tenho saudade de amigos que se foram, tenho tanta saudade de outros que não se foram, mas que se perderam na vida, estão longe e não consigo mais alcança-los por mais que eu tente.

Tenho saudade das amigas que magoei e por mais pedidos de desculpa e de perdão seus corações endureceram e não mais me olham e nem me permite sorrir a elas.

Tenho saudade dos amigos, de todos eles... Uma saudade medonha que me consome... Enfraquece-me... Envelhece-me...

Queria estar no enterro de um deles, chorar a dor dessa saudade, mas não pude, não soube de sua partida tão breve assim como a vida da borboleta, e isso dói tanto, eu queria poder saber mais de você, eu queria estar lá para dar o último adeus, pois a saudade seria a mesma, insuportável, mas pelo menos te veria mais uma vez.

E o que mais dói nesta saudade insana é saber que com o tempo outros vão te esquecer, mas eu não e o que dói mais ainda é saber que mesmo eu não te esquecendo, seu rosto se apagará da minha memória... Sua voz não será mais tangível, ela sumirá com o tempo e isso dói e não sei como reverter isso...

Eu nunca saberei enfrentar este monstro terrível da saudade, eu fico vulnerável, me dói o corpo todo e uma fraqueza me impede de expulsa-lo de mim.

Infelizmente eu não sei recordar com alegria do passado, queria que tudo fosse presente e sempre futuro e não entender o que é saudade...

Luciano Oliveira

07/02/2010



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